Por serem essenciais na formação escolar, a leitura e a escrita merecem
atenção específica dos professores das diversas áreas.
Texto Luis Carlos
de Menezes
Para o professor, examinar um
mapa de geografia é fazer um exercício expressivo e pessoal sobre a escrita.
Desde que nascemos, aprendemos a
interpretar gestos, olhares, palavras e imagens. Esse processo é potencializado
pela escola, por meio da leitura e da escrita, o que nos dá acesso a grande
parte da cultura humana. Isso envolve todas as áreas, pois, mais do que
reproduzir o som das palavras, trata-se de compreendê-las - e quem sabe
relacionar termos como paráfrase, latifúndio, colonialismo e transgênico aos
seus significados faz uso de um letramento obtido em aulas de Língua Portuguesa, Geografia, História e Ciências, respectivamente.
A chamada alfabetização
científico-tecnológica mostra essa preocupação no ensino de Ciências. Falta
muito, porém, para que as linguagens sejam objetivos da instrução e não só
pré-requisitos exclusivos das aulas de Língua Portuguesa e Matemática. A competência de ler e escrever, aliás, se desenvolve com a
de "leitura do mundo" no sentido usado por Paulo Freire - e todo
educador deve fazer isso sozinho e em associação com seus colegas.
Cada estudante que, numa
aula de Geografia, examina um mapa ou guia de ruas, assinala locais por onde
passa e comenta em texto experiências ali vividas, além de aprender a se
situar, faz um exercício expressivo e pessoal da escrita. Isso também pode ser
um trabalho coletivo, como a maquete que vi numa cidadezinha mostrando a
escola, o estádio, o hospital, a praça e a prefeitura. Estavam ali
representados também o rio, com os pontos onde transborda e em que ocorre o
despejo irregular de lixo. Cartazes ao lado comentavam o surgimento da cidade,
a vida econômica e os problemas ambientais, com linguagem aprendida em aulas de Arte, Ciências, Geografia, História e Língua Portuguesa.
Mas essa prática só muda as estatísticas de alfabetização quando faz parte da rotina escolar. Há uma queixa frequente de que por lerem mal os alunos têm dificuldade com certos conteúdos. Diante dela, a escola deve trocar o círculo vicioso - em que o despreparo na língua dificulta a aprendizagem de outras matérias e perpetua o despreparo - por um círculo virtuoso - em que a leitura e a escrita melhorem em todas as áreas e ajudem na aprendizagem de qualquer conteúdo. De certa forma, todos os professores devem dar continuidade ao processo de alfabetização, em que os pequenos leem e escrevem sobre suas relações pessoais ou sociais e sobre as coisas da natureza, entre outros temas.
Mas essa prática só muda as estatísticas de alfabetização quando faz parte da rotina escolar. Há uma queixa frequente de que por lerem mal os alunos têm dificuldade com certos conteúdos. Diante dela, a escola deve trocar o círculo vicioso - em que o despreparo na língua dificulta a aprendizagem de outras matérias e perpetua o despreparo - por um círculo virtuoso - em que a leitura e a escrita melhorem em todas as áreas e ajudem na aprendizagem de qualquer conteúdo. De certa forma, todos os professores devem dar continuidade ao processo de alfabetização, em que os pequenos leem e escrevem sobre suas relações pessoais ou sociais e sobre as coisas da natureza, entre outros temas.
Para cumprir esse objetivo, é
igualmente importante lançar mão de vários meios e atender aos interesses de
crianças e jovens, muitas vezes relacionados às novas tecnologias. Buscas pelo
conteúdo de enciclopédias ou por letras de música podem ser feitas pela
internet. Nada impede que, além de escreverem agendas e diários e publicarem
notas nos murais da escola, eles enviem torpedos por celular, conversem em
chats ou enviem mensagens por e-mail. Se houver equipamentos suficientes, os
alunos podem registrar e editar seus textos em computadores. Se não, pode-se
realizar atividades em grupo na própria escola ou em equipamentos públicos. A
crescente importância desses meios é mais um estímulo para o domínio da
escrita, até porque os CDs, DVDs e pendrives logo farão - se já não fazem -
parte da vida escolar tanto quanto livros e cadernos.
Com esses e outros meios,
aprende-se a ler e escrever todo o tempo e em qualquer disciplina, e é ainda melhor
quando a coordenação pedagógica orientar a equipe nesse sentido. O ideal é que
todos sejam preparados para ações conjuntas, mas já faz uma enorme diferença
se, antes de cada aula, os docentes souberem quais linguagens desenvolverão com
os alunos e como vão estimulá-los a ler os textos e a escrever o que
aprenderam, as dúvidas que restaram e seus pontos de vista sobre aspectos
polêmicos.
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